O CIT – Colégio Internacional dos Terapeutas – foi criado em 1992 por inspiração de Jean-Yves Leloup, psicólogo, teólogo, filósofo e escritor francês, na Unipaz de Brasília, ao final do seminário Terapeutas - de Philon à transmodernidade, que encerrava o curso do primeiro grupo da Formação Holística de Base (FHB), liderado por Pierre Weil com a ajuda de Roberto Crema.

O CIT inspira-se na tradição hebraica dos Terapeutas do Deserto, que nos reporta a  Philon de Alexandria, e cujas raízes remontam ao primeiro século da era cristã. Baseia-se em um olhar sobre o ser humano que respeita suas diversas dimensões: o corpo, a psique, a consciência e a essência.

O CIT não tem cunho formativo. Acolhe terapeutas já formados, das mais diversas competências e orientações, que se aliam para 1- de uma visão holística, 2 - de uma escuta acolhedora das múltiplas dimensões do todo humano, 3 - de uma ética rigorosa e aberta de respeito à inteireza, 4 - de uma prática transdisciplinar na área de saúde integral e 5 - de uma prática transdisciplinar na arte de cuidar do Ser.

Parte de uma visão de ecologia profunda e da definição de saúde como um estado de bem-estar psicossomático, social, ambiental e cósmico – tal como é postulada pela Organização Mundial de Saúde. E assim, reconhece três categorias de terapeutas:

• Clínica – profissionais que cuidam da saúde física e emocional, clínicos habilitados tais como psicólogos, psiquiatras, médicos, enfermeiros, entre outros.

•  Social – profissionais que cuidam do âmbito social como assistentes sociais, educadores, economistas, advogados, consultores organizacionais, empresários, administradores, políticos, cientistas sociais, sacerdotes, artistas, antropólogos, filósofos, entre outros.

•  Ambiental – profissionais que cuidam do meio ambiente, da natureza: biólogos, ecólogos, engenheiros florestais, arquitetos, físicos, urbanistas, entre outros.

A tarefa de ser agente de saúde integral, portanto, é estendida a todo ser humano que se importa pelo bem-estar de si, de todos e de tudo, abrindo-se à responsabilidade do cuidar e do cuidado.

 

AS DEZ ORIENTAÇÕES MAIORES

O que une os membros do CIT são as chamadas As Dez Orientações Maiores. Elas não se constituem como regras, imposições ou obrigações; porém são um apelo ou visão que inspira e conduz a vida ideal de um terapeuta. São elas:

1. Antropologia holística – é constituída por uma ontologia e uma cosmologia que implicam no reconhecimento da tríplice condição existencial: física, psíquica e consciencial, atravessada pelo mistério do Ser.

2. Ética da benção e do respeito à inteireza - jamais reduzir o ser humano a um rótulo. Deve-se também cuidar, nele, daquilo que não é doente,  ativando assim uma dinâmica de cura é ativada.

3. Prática diária meditativa do silêncio - visando a centralidade e a abertura à transcendência.

4. Prática diária de estudo de textos contemporâneos e da sabedoria perene, visando permanente atualização.

5. Prática diária da gratuidade, para o exercício da solidariedade, do serviço desapegado ao outro, à sociedade, ao universo.

6. Reciclagem – assumir um compromisso de vivenciar, anualmente, um tempo-espaço de recolhimento para uma revisão, reflexiva e meditativa, do processo de individuação.

7. Reconhecimento da necessidade de ser acompanhado por uma escuta terapêutica, evitando o risco da inflação egoica do julgar-se pronto, estancando o processo contínuo de aprendizagem e aperfeiçoamento.

8. Anamnese essencial, por meio de registros sistemáticos das vivências, no estado de vigília e no onírico, que evidenciam a presença numinosa do Ser, na existência cotidiana.

9. O despertar da Presença, a tarefa de lembrar o que realmente somos: o Ser que nos funda e informa, através da respiração, da invocação, ou da atenção plena ao instante.

10. A fraternidade, por meio de encontros para a sinergia, o estudo partilhado, a comunhão meditativa.

 

COMO TORNAR-SE UM MEMBRO DO CIT

Quem pode aspirar ao CIT: terapeutas clínicos e terapeutas não clínicos.

Requisitos:

  • Ter concluído a Formação Holística de Base da Unipaz; comprovar ter percorrido um caminho equivalente; ou ser reconhecido por seu notório saber/fazer/ser na abordagem transdisciplinar holística.
  • Possuir reconhecida prática profissional em sua área de atuação, quer seja como terapeuta, ou ainda, em trabalho com orientação terapêutica. 
  • Conhecer e praticar as Dez Orientações Maiores.
  • Participar, pelo menos durante um ano, dos eventos e atividades do CIT em âmbito local, regional e/ou nacional como ouvinte.
  • Solicitar, oficialmente (por escrito e em encontro pessoal), a um terapeuta do CIT, que seja seu Terapeuta Acompanhante e o aceite como Aspirante. O Terapeuta verificará se há uma boa ressonância entre Aspirante-Acompanhante e se o candidato a Aspirante reúne os níveis de integração, experiência e congruência, pelo menos básicos, para seguir nesta especial trilha.
  • Cumprir o estágio de Aspirante, sendo acompanhado durante um prazo mínimo de um ano e colocando em prática, no cotidiano, as Dez Orientações Maiores do CIT.
  • Estudar a bibliografia pertinente, de modo especial a Coleção Unipaz-CIT, bem como o Manual do CIT.
  • Ao se considerar pronto, na sua percepção e na de seu Terapeuta Acompanhante, este encaminhará a solicitação de Acolhida do Aspirante a uma Casa do CIT, juntamente de sua anamnese (texto testemunhal que deverá ser elaborado pelo Aspirante).
  • O Terapeuta Acompanhante informará o Aspirante sobre a data da sua apresentação à Casa do CIT. Nessa ocasião o Aspirante poderá ser acolhido ou informado da necessidade de mais um tempo de acompanhamento.
  • A Acolhida no CIT acontece através de um ritual simples e profundo, em que o terapeuta, caso seja reconhecido como tal, recebe um manto, para envolver-se nos momentos íntimos de sua prática meditativa, que representa a sua conexão com a qualidade que esta consciência confere, como um elo de uma corrente que remonta aos Terapeutas de Alexandria.

 

 

Fonte: Antigos e Novos Terapeutas, Editora Vozes, 2002, de Roberto Crema (ex-coordenador geral do CIT no Brasil).

 

 

“No que se refere a Paz verdadeira, ela se encontra no nível transpessoal, fora de toda a espécie de dualidade.”

Pierre Weil

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