Bahá’u’lláh: Espiritualidade e Fraternidade Universal

Dentro da efervescência religiosa que tomou o mundo no século XIX, nasceu na antiga Pérsia (hoje Irã) a Fé Bahá’í. Seu Profeta-Fundador, Bahá’u’lláh, inúmeras vezes enfatizou a importância da promoção de uma cultura de paz fundamentada na justiça e unicidade. Hoje, Sua Missão pautada na unidade da religião e do gênero humano atrai corações e mentes de mais de 6 milhões de seguidores em todos os cantos do planeta.

Em inúmeras passagens, Bahá’u’lláh menciona que a paz deve ser vista como o estágio final do desenvolvimento humano. Para Ele, a humanidade gradualmente está rumo a uma fase de maturidade que lhe dá capacidade de promover a paz como uma realidade. Ele conclama que “as nações se unam em uma mesma fé, e todos os homens se tornem irmãos; que os laços de unidade e afeição entre os filhos dos homens sejam fortalecidos” 1 . Esta mensagem de amor, reconciliação e promoção da paz ressoa hoje em cada ação inspirada na Figura Sagrada de Bahá’u’lláh em diversos níveis. 

As comunidades nacionais e internacionais bahá’ís estão preocupadas com as necessidades da época atual. Por isso, se engajam em uma pauta propositiva pela transformação social em temas como meio-ambiente, igualdade de gênero, direitos humanos, juventude e desenvolvimento 2

Localmente, os bahá’ís têm se engajado no diálogo com outras organizações religiosas e sociais preocupadas com a promoção de valores em prol da cultura de paz. Tal engajamento se baseia em uma percepção de que há uma realidade espiritual da raça humana que nos coloca sob a proteção de um mesmo Criador. Em última instância, a fonte de conflito e guerra é uma concepção materialista presente de maneira forte nas normas sociais e instituições contemporâneas. Esta ordem social se fundamenta na ideia de que os seres humanos são motivados por ações egoístas, auto-interessadas e competitivas. 

Para lidar com este desafio, em suas ações educacionais e seu engajamento com outras denominações religiosas e organizações sociais, a perspectiva bahá’í se ampara na ideia de que a “natureza humana pode ser caracterizada por capacidades duais para o egoísmo e altruísmo, competição e cooperação” 3 e, deste modo, a educação tem um papel primordial em desenvolver uma dimensão ou outra. 

Logo, desenvolver serviço altruístico para o melhoramento da sociedade torna-se central para a promoção da cultura de paz. Somente a educação é capaz de superar uma perspectiva meramente materialista e se voltar a valores espirituais universais como generosidade, bondade, amor, justiça e unidade. A promoção desta educação tem sido feita por milhões de pessoas engajadas nos projetos educacionais bahá’ís para todas as faixas etárias, desde os cinco anos de idade até a melhor idade. 

Tais valores são capazes de construir uma ideia de que a humanidade é um único corpo, unida, capaz de operar através dos princípios da justiça. Como prevê Bahá’u’lláh, uma educação pela paz, que considere os valores espirituais em comum, é capaz de gerar um novo mundo, em que “essas lutas, carnificinas e discórdias devem cessar, e todos os homens serem como uma família…” 4 .

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1 Bahá’u’lláh. A Proclamação de Bahá’u’lláh. Disponível em:

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fb000002.pdf. Acesso: 13 Out. 2021.

2 Sabet, Ariane. 2004. “Bahá’u’lláh Concept of Collective Security in Historical and Theoretical Perspective”. In: Lerche, C. Healing the Body Politic. Oxford: George Ronald. 

3 Ferreira, M. and Karlberg, M. 2017. “Bahá’í Faith”. In: Paul Joseph Editor, 2017. The SAGE 

4 Bahá’u’lláh. A Proclamação de Bahá’u’lláh. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fb000002.pdf. Acesso: 13 Out. 2021. 

Liese von Czékus Cavalcanti é Secretária da Assembleia Nacional dos Bahá’ís do Brasil.

Marcos Alan Ferreira é Docente em Relações Internacionais na Universidade Federal da Paraíba; Membro da equipe coordenadora da SASG – Secretaria de Ações com a Sociedade e o Governo da Comunidade Bahá’í do Brasil. 

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