CIT – Colégio Internacional dos Terapeutas

A Saúde Integral e a Arte de Cuidar do Ser



O que é?


Concebido na França, em 22 de julho de 1990, por Jean-Yves Leloup, o CIT – Colégio Internacional dos Terapeutas foi fundado, no Brasil, no dia 8 de setembro de 1992, também sob a orientação de seu mentor, Jean-Yves Leloup, por ocasião do encerramento do grupo piloto da Formação Holística de Base, em um rito iniciático ao cristianismo original do Hesicasmo, que Jean-Yves pela primeira vez realizou no Brasil. 


Aqui, o CIT tem como sede a Universidade Internacional da Paz, UNIPAZ – DF e Roberto Crema assume sua coordenação, impulsionando esse movimento que já tem 28 anos. O CIT tem como objetivo reavivar, entre os terapeutas modernos, o espírito dos terapeutas aos quais se refere Fílon de Alexandria. Inspira-se na tradição hebraica dos Terapeutas, dos quais reportou Fílon de Alexandria, fornecendo-nos o formidável e ancestral testemunho de uma protoabordagem holística, que não separa, no ser humano, o que a própria Vida uniu: o corpo, a psique, a consciência e a Essência. Suas raízes remontam ao primeiro século de nossa era, no especial momento de transição do judaísmo para o cristianismo. 


A partir de uma visão de ecologia profunda e de uma definição de saúde como um estado de bem-estar psicossomático, social, ambiental e cósmico, três categorias de terapeutas são reconhecidas:


A Clínica – para os profissionais clínicos habilitados, como médicos, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, entre outros.


A Social – para os profissionais habilitados nas diferentes áreas sociais e organizacionais, como serviço social, educadores, artistas, políticos, cientistas, teólogos, advogados, entre outros.


A Ambiental – para os profissionais que cuidam do meio ambiente, como biólogos, ecólogos, arquitetos, engenheiros, paisagistas, entre outros.



Como é?


O CIT não é institucionalizado. Ele é um movimento, ou seja, ele se propaga a partir do exercício do cotidiano de cada terapeuta, centrado nas Dez Orientações Maiores. Não há uma hierarquia senão aquela ditada por um princípio sistêmico, que é o respeito aos mais antigos. Isso já existia na época dos Terapeutas de Alexandria e continua existindo hoje, o respeito aos mais antigos. E a pessoa que coordena, que focaliza, é a pessoa que serve. 


De acordo com Fílon de Alexandria, é, sobretudo, uma “escola de sabedoria” ou uma “escola de contemplação”, que recapitula e sintetiza as quatro grandes escolas de sabedoria da antiguidade:


O Jardim de Epicuro em sua busca pela simplicidade e tranquilidade da alma, liberdade para com o mundo, seus desejos e sofrimentos, com o objetivo de alcançar a vida bem-aventurada, que para eles é o puro prazer de existir.


O Liceu de Aristóteles, que priorizou o intelecto por intermédio da busca do conhecimento dos elementos da natureza, mas também através da contemplação da causa primeira de tudo aquilo que existe.


A Academia de Platão, com seu desejo pelo Belo, dentro e fora de toda beleza sensível e inteligível, que marcará os terapeutas de modo particular, fazendo-os esquecer um pouco Sócrates e sua interrogação “irônica” e permanente de todo saber.


O Pórtico dos Estoicos de Zenon, que também terá uma enorme influência; viver a escuta do Logos que informa a natureza e tudo aquilo que existe.


Fonte: Colégio Internacional dos Terapeutas: uma Vasta e Ancestral Herança
Conferência de Jean-Yves Leloup, em Paris – Encontro de Terapeutas, 2010


Uma escola de sabedoria não tem por finalidade distribuir diplomas ou patentes, certificando uma competência técnica nos diferentes domínios exercidos pelos seus membros, mas ela convida a um aperfeiçoamento, renovado sem cessar, das qualidades do coração e do espírito que os tornam autênticos terapeutas, ou seja, pessoas que encarnam em sua prática e em seu quotidiano o espírito das Dez Orientações Maiores. 



Para quê?


É a tarefa de ser agente de saúde, estendida a todo ser humano que se importa pelo bem-estar de si, de todos e de tudo, abrindo-se à responsabilidade do Cuidar, que possibilita às pessoas tornarem-se Terapeutas do CIT e o que alia os Terapeutas do CIT são as Dez Orientações Maiores.



As Dez Orientações Maiores:


1 – ANTROPOLOGIA


Reconhecer, respeitar e cuidar do ser humano na sua inteireza física, psíquica e espiritual: soma – psique – nous – pneuma. Esta classificação encontra equivalências nas antropologias tradicionais da Índia e do Tibet, por exemplo.  Esta antropologia é igualmente uma cosmologia, pois não percebe o homem como algo separado do universo (daí a importância do cuidado com o meio ambiente) e uma ontologia, pois, não distingue o homem como separado de uma Origem que continuamente lhe escapa e continuamente o sustenta.


2 – ÉTICA


Cuidar do Ser em si mesmo: acolhê-lo – contemplá-lo – respirá-lo – encarná-lo – comunicá-lo…


Cuidar do Ser nos outros: acolhê-lo – respeitá-lo – escutá-lo e, se for preciso, orientá-lo – facilitar-lhe a cura – fazê-lo desabrochar…


Viver tanto quanto possível na simplicidade e beleza (alimentação, vestuário e habitação) e permanecer livre em relação a acumulação de bens, de conhecimento, de poderes que podem afastá-lo do Ser.


3 – SILÊNCIO


Viver todos os dias um tempo de silêncio (cerca de 1 hora) de acordo com as práticas próprias de cada Terapeuta.


4 – ESTUDO


Viver todos os dias um tempo de estudo (cerca de 1 hora) de textos, escritos, informações necessárias à formação e à reciclagem.


5 – GRATUIDADE


Dedicar um tempo diário ao cuidado gratuito – ao Serviço, ou de acordo com sua disponibilidade segundo a competência específica do Terapeuta.


6 – RECICLAGEM


Todos os anos, dedicar uma semana ao silêncio e uma semana ao estudo para se re-centrar e verificar os seus pressupostos antropológicos.


7 – RECONHECIMENTO


Colocar-se sob a escuta atenta e solícita de um Terapeuta Acompanhante, zelando pelo seu processo de individuação e se prevenindo da inflação egóica, na fidelidade do Terapeuta aos seus compromissos, isto é, às Dez Orientações Maiores.


8 – ANAMNESE


Ter uma agenda (de uso exclusivo de cada Terapeuta), na qual serão anotados sonhos e utopias significantes, assim como acontecimentos que testemunhem a presença do Ser em uma vida, e, em especial, em sua vida. 


9 – EVOCAÇÃO DA PRESENÇA


Viver, se possível, um minuto, a cada hora, a evocação do meu ser ao Ser que o informa, do meu sopro ao Sopro que o inspira.


Esse instante de evocação pode ser vivido através de uma invocação, uma respiração ou simplesmente uma atenção sensorial ou afetiva à Presença do Ser no corpo que somos.


10 – FRATERNIDADE


Os terapeutas, dispersos pelo mundo, formam uma rede fraterna. A hospitalidade recíproca é uma felicidade de que eles não vão se privar. Lembrando os seus compromissos comuns, eles partilharão voluntariamente o seu tempo de estudo e de silêncio. 



Para quem?


Não tendo cunho formativo, o CIT acolhe terapeutas já formados, das mais diversas competências e orientações, que se aliam em torno de uma visão holística; de uma escuta acolhedora das múltiplas dimensões do todo humano; de uma ética, rigorosa e aberta, de respeito à inteireza; de uma prática transdisciplinar na área da saúde integral e da arte do Cuidar do Ser. 


Pré-requisitos no Brasil


Ter concluído a Formação Holística de Base ou a Formação em Psicologia Transpessoal, da Unipaz, ou alguma formação equivalente, profunda e rigorosa, no contexto do paradigma holístico.


Possuir reconhecida prática profissional em sua área de atuação, quer seja como terapeuta, ou ainda, em trabalho com orientação terapêutica. 


Participar, por aproximadamente um ano, dos eventos e atividades do CIT em âmbito local, regional e/ou nacional como ouvinte e, dessa forma, tornar-se “Aspirante a Aspirante”.


Solicitar, oficialmente (por escrito e em encontro pessoal), a um Terapeuta do CIT, que seja seu “Terapeuta Acompanhante” e que o aceite como Aspirante. 


Cumprir o estágio de Aspirante, sendo acompanhado durante um prazo mínimo de um ano e colocando em prática, no cotidiano, as Dez Orientações Maiores do CIT.


Estudar a bibliografia pertinente, de modo especial a Coleção Unipaz-CIT, bem como o Manual do CIT.


Ao se considerar pronto, na sua percepção e na de seu Terapeuta Acompanhante, este encaminhará a solicitação de Acolhida do Aspirante a uma Casa do CIT, juntamente com sua anamnese, ou seja, um texto testemunhal que deverá ser elaborado pelo Aspirante.


O Terapeuta Acompanhante informará o Aspirante sobre a data da sua apresentação à Casa do CIT. Nessa ocasião, o Terapeuta Aspirante poderá ser acolhido ou informado da necessidade de mais um tempo de acompanhamento.


A Acolhida no CIT acontece através de um ritual simples e profundo, em uma Casa do CIT, em que o Terapeuta Aspirante, caso seja reconhecido como tal, recebe um manto, para envolver-se nos momentos íntimos de sua prática meditativa, que representa a sua conexão com a qualidade que essa consciência confere, como um elo de uma corrente que remonta aos Terapeutas de Alexandria.



Bibliografia básica – Coleção UNIPAZ-CIT:


LELOUP, Jean-Yves. Cuidar do Ser. Petrópolis: Vozes, 1996. 

________. Caminhos da Realização. Petrópolis: Vozes, 1996. 

________. O Evangelho de Tomé. Petrópolis: Vozes, 1997. 

________. O Corpo e seus Símbolos. Petrópolis: Vozes, 1998. 

________. O Evangelho de Maria. Petrópolis: Vozes, 1998. 

________. Deserto, Desertos. Petrópolis: Vozes, 1998. 

________. Palavras da Fonte. Petrópolis: Vozes, 2000. 

________. O Evangelho de João. Petrópolis: Vozes, 2000. 

________. Carência e Plenitude. Petrópolis: Vozes, 2001.

________. Além da Luz e da Sombra. Petrópolis: Vozes, 2002.

________. A Montanha no Oceano. Petrópolis: Vozes, 2002. 

________. Uma Arte de Amar para os Nossos Tempos: O Cântico dos Cânticos. Petrópolis: Vozes, 2002. 

________. Enraizamento e Abertura. Petrópolis: Vozes, 2003. 

________. Introdução aos “Verdadeiros Filósofos” – Os Padres Gregos: um continente esquecido do pensamento ocidental. Petrópolis: Vozes, 2003. 

________. Apocalipse – Clamores da Revelação. Petrópolis: Vozes, 2003. 

________. Livro das Bem-Aventuranças e do Pai-Nosso: Uma Antropologia do Desejo. Petrópolis: Vozes, 2004.

________. Escritos sobre o Hesicasmo: Uma Tradição Contemplativa Esquecida. Petrópolis: Vozes, 2004. 

________. Evangelho de Felipe. Petrópolis: Vozes, 2006.

________. Judas e Jesus: Duas Faces de uma única Revelação. Petrópolis: Vozes, 2007.

________. Jesus e Maria Madalena: Para os puros, tudo é puro. Petrópolis: Vozes, 2007. 

________. Uma Arte de Cuidar: Estilo Alexandrino. Petrópolis: Vozes, 2007

________. A Sabedoria que Cura. Petrópolis: Vozes, 2015.

LELOUP, Jean-Yves; BENSAID, Catherine. O Essencial no Amor. Petrópolis: Vozes, 2006. 

BIASI, Francisco Di; ROCHA, Sérgio F. Caminhos da Cura. Petrópolis: Vozes, 1998. 

BOFF, Leonardo; LELOUP, Jean-Yves. Terapeutas do Deserto. Petrópolis: Vozes, 1997.

BOFF, Leonardo; WEIL, Pierre; LELOUP, Jean-Yves; CREMA, Roberto; LIMA, Lise Mary A. (Org) O Espírito na Saúde. Petrópolis: Vozes, 1999. 

HENNEZEL, Marie de; LELOUP, Jean-Yves. A Arte de Morrer – tradições religiosas e espiritualidade humanista diante da morte na atualidade. Petrópolis: Vozes,1999. 

NARANJO, Cláudio. Entre meditação e psicoterapia. Petrópolis: Vozes, 2005.  

NOSSRAT, Peseschkian. Viver com Sentido. Petrópolis: Vozes, 2003. 

PUBLIO DIAS, ARCELINA, Helena. Sinais de Esperança. Petrópolis: Vozes, 2007.

WEIL, Pierre. Rumo ao Infinito. Petrópolis: Vozes, 2005.

CREMA, Roberto. Antigos e Novos Terapeutas – abordagem transdisciplinar em terapia. Petrópolis: Vozes, 2002.

________. Mensagens do Deserto. São Paulo: Edição do Autor, 2017.

________. O Poder do Encontro. São Paulo: Tumiak Produções, 2017.

CREMA, Roberto; WERÁ, Kaká. A Águia e o Colibri. São Paulo: Tumiak Produções, 2019.

LELOUP, J.Y.  Introdução. In: CREMA, R. Antigos e Novos Terapeutas: abordagem transdisciplinar em terapia. Petrópolis: Vozes, 2002. 

WEIL, Pierre. Os Mutantes. Campinas: Verus, 2003.



Quem faz?


O CIT-Brasil, criado em comum acordo por Jean-Yves Leloup e Pierre Weil, em uma de suas viagens à França, faz parte da REDE UNIPAZ, como organismo complementar, e estende-se pelas diferentes unidades nacionais e internacionais da UNIPAZ.  Atualmente, o pentagrama de coordenação do CIT está composto por Lydia Rebouças, Helyda Di Oliveira, Maria do Carmo Colturato e Silva, Rosemari Johan e Neusa Santos.



Investimento


Gratuito



Inscrição


Para mais informações e inscrição, os interessados deverão enviar um e-mail para: [email protected]



“No que se refere a Paz verdadeira, ela se encontra no nível transpessoal, fora de toda a espécie de dualidade.”


Pierre Weil

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