Francisco de Assis e a Espiritualidade da Fraternidade Universal

Francisco é, sem dúvida, uma luz que brilhou para a humanidade no século XIII e continua a iluminar nossas consciências ainda hoje. Somos herdeiros de sua ternura, de seu compromisso radical com o outro (alteridade), do amor a tudo e todos numa relação de fraternidade (o Sol, a Lua, a morte, tudo o que existe, era vivido numa relação fraternal). 

Já próximo ao fim de sua vida, Francisco compôs o ‘Cântico das Criaturas’, linda poesia, atualíssima, ecológica, que compreende a íntima relação da vida, em todas as suas manifestações, com tudo o mais que existe. 

Em ‘Saber Cuidar’, Leonardo Boff afirma: “Efetivamente, face às demandas da nossa cultura ecológica mundial, reconhecemos sua grande atualidade. Somos velhos, ainda aferrados ao modo-de-ser do trabalho-dominação-agressão da natureza. São Francisco, no entanto, é verdadeiramente alternativo por seu radical modo de ser-cuidado com respeito, veneração e fraternura para com todas as coisas”. [1] 

A radicalidade evangélica na direção dos pobres e doentes também denuncia como Francisco foi uma presença atemporal, sempre atual, nos ensinando a viver a simplicidade voluntária, na construção de um mundo justo e solidário, onde todos possam viver com dignidade e amor, podendo desfrutar dos dons da vida.

Sua relação com Clara põe em evidência a intensidade com a qual vivia o amor evangélico, nos inspirando no entendimento da sororidade. Na sempre presente luta pela igualdade nas relações de gênero, Francisco se relaciona com Clara lado a lado, horizontalmente, nos legando um modelo de amor entre irmãos. Encontramos no livro ‘Terapeutas do Deserto’, um lindo diálogo entre Leonardo Boff e Jean Yves-Leloup onde Leonardo nos ensina, trazendo essa passagem histórica maravilhosa:

Um dos textos mais originais escritos sobre São Francisco é o de seu caminho junto aos pobres, vivendo nas periferias. Logo apareceram discípulos e companheiros que se entusiasmaram com ele e, em seguida, aquela que foi a sua companheira por excelência, Clara de Assis. Este seria um capítulo fantástico para falarmos aqui, porque existe toda uma relação de enamoramento, de Eros e Ágape, com uma transparência nunca vista antes. Clara abandona tudo e à noite, pelas 10 horas, foge de casa e encontra-se com Francisco. Os companheiros a recebem com faixas e tochas, cortam seus cabelos – que estão até hoje guardados lá em Assis – e ela se incorpora ao movimento. É um movimento que já nasce masculino e feminino, integrando esses dois princípios na relação de Clara e Francisco”.[2] 

Como é dito por aqueles/as que seguem o caminho franciscano, em nossos tempos, de forma urgente, nos saudemos: ‘PAZ E BEM’!

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[1] BOFF, Leonardo. SABER CUIDAR: Ética do humano – Compaixão pela Terra. 16. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

[2] LELOUP, Jean-Yves. Terapeutas do Deserto: de Fílon de Alexandria e Francisco de Assis a Graf Dürckheim; 13.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

Adriano Galhardo Pedroso Pedagogo com pós-graduação em Gestão de Pessoas, Psicopedagogia, Ecologia-Arte-Sustentabilidade, Transdisciplinaridade em Educação e Cultura de Paz; Focalizador em Danças Circulares Sagradas e em Jogos Cooperativos; Designer em Sustentabilidade pelo Programa Gaia Education. Master Practitioner e Trainer em PNL, com formação em AT – Análise Transacional, Terapia Comunitária e Terapia Floral de Bach. Idealizador da ESCOLA DO CUIDADO

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