Meditação é Cultivo

Mesmo em tempos estranhos como estes, podemos cultivar a compreensão de que estamos incessantemente criando realidades e que a vida tem este aspecto plástico, lúdico e luminoso. Sempre existe a possibilidade de tomarmos outra direção, de fazermos diferente. Com cultivo, podemos dirigir nossas mentes num sentido positivo. Podemos cultivar interesse uns pelos outros. Podemos criar experiências melhores, experiências baseadas em compaixão e lucidez.

Lucidez é a superação de cegueiras, visões condicionadas e preconceitos, superação da incompreensão de como a mente funciona. Compaixão é o interesse pelos outros, quando nosso autocentramento não nos impede de entender que, apesar da maior parte das pessoas estar em sofrimento, este sofrimento tem relação direta à forma como usamos a mente e portanto pode ser superado.

Vivemos num tempo onde ensinamentos milenares e de preciosidade inestimável estão disponíveis e preservados, sendo transmitidos de forma direta por mestres de linhagens vivas. Alguns desses mestres falam português e traduzem os ensinamentos através da nossa cultura. 

O mestre brasileiro do budismo tibetano Lama Padma Samten, por exemplo, nos explica que existe um caminho para liberação, o Nobre Caminho de Oito Passos, que começa com a motivação correta e prossegue com a redução do impacto do sofrimento sobre os seres. “A seguir, ampliamos nossa capacidade de ajudar os seres e desenvolvemos as habilidades de meditação. Dentro dessas habilidades, vamos até o ponto de compreender a natureza ilimitada de todos os fenômenos, internos e externos”, complementa Lama.

Toda explicação teórica está no nível que chamamos de visão. “Precisamos transformar cada um desses itens em uma forma de meditação, pois existe uma distância entre entender uma coisa e conseguir transformar essa compreensão em algo vivo na nossa experiência de mundo. Essa é a função da meditação”, finaliza.

As tradições contemplativas há milênios vêm aperfeiçoando o conhecimento do despertar para a importância fundamental do mundo interno. Nestes tempos atuais, este conhecimento está cada vez mais disponível e isso é realmente extraordinário!

Ingressar no cultivo da meditação com a aspiração de liberar a própria mente e com a disposição de ajudar os outros a fazer o mesmo, é considerada a melhor forma de começar e terminar esta jornada.

Flávio DePaoli é aluno dedicado do Lama Padma Samten, Mestre Brasileiro do Budismo Tibetano da Escola Niyngma e criador do Centro de Estudos Budistas Bodisatva – Cebb.

Físico graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), fez parte do Centro de Tecnologia Acadêmica do instituto de Física da Ufrgs (CTA-If) onde criou o projeto Fisiolog (construção e estudo de biossensores).

Faz parte do Grupo de pesquisas Cardiologia do Exercício (CardioEX) do Hospital das Cĺinicas de Porto Alegre, com pesquisas sobre yoga e meditação. 

Tem formação em Violoncelo pelo Conservatório da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. É  criador do projeto Laboratório de Física e Música pelo CTA/IF-Ufrgs em parceria com Colégio de Aplicação Viamão/RS (Física, Música e Tecnologia)

Por vários anos morou na comunidade budista Cebb-CM (arredores de Porto Alegre-RS) onde pôde aprofundar seus estudos do budismo e da meditação próximo ao seu mestre.

Foi um dos professores fundadores da Escola Caminho do Meio – Viamão/Rs, criada nesta comunidade baseada nas 5 sabedorias budistas.

Entusiasta do diálogo entre o Budismo e a Ciência, promove estudos de contemplação da interpretação de Niels Bohr da Mecânica Quântica, a Abordagem Complementar,  visão que questiona a forma como geramos conhecimento.

Facilitador da Unipaz desde 2013.

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